Released on March 1, 2014

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[Intro - José Gomes Ferreira]

(Hoje a minha dor é esta

No pasmo dos descaminhos:

Querer deitar fogo à floresta

Sem queimar os ninhos

Nem o sol da sesta.)


[Verso 1]

Tu conheces as minhas fases todas, como a lua

E desconheces que a vida muda, até a tua lupa

E que eu não sou a única que está diferente

E não há uma só crítica ou vítima em julgamento

Eis o reconhecimento, vamos começar de novo

Reconhecermos os erros é conhecermos o outro

Faço o que é suposto, o recomeço é necessário

Seco as lágrimas do rosto em mais um aniversário

E confio que por muito que isto tudo seja um erro

Tem de haver a recompensa para se ser tão ingénuo

E eu juro, finjo que paro, digo que saio, mas não vou

Eu calo e quando falo, eu nunca abro o jogo todo

Eu fico, achando que arco, mas depois mato o que restou

Não queima, então não chega porque amor pra mim é fogo

Insisto, eu não desisto e ainda resisto a mais um teste

Se não é isto, não existe, porque amor tem de ser este

E eu deitava fogo à casa com palavras se pudesse

Eu punha o pé na estrada e não voltava mais a ver-te

Eu rezava se soubesse ou se desse algum resultado

E se houvesse alguma prece que mudasse o meu passado

Pra não te ter tatuado a ferro quente no colo

Com a frieza de quem queima a mata com uma lupa ao sol

Pra não te ter sempre ao lado em fantasma quando não estás

Sentindo que olhar para a frente é voltar a andar pra trás

Tatuado a ferro quente, queimo a mata, lupa ao sol

O passado à minha frente e um fantasma no meu colo

Tatuado a ferro quente, queimo a mata, lupa ao sol

O passado à minha frente e um fantasma no meu colo