Released on March 21, 2025

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[Intro: Carlos do Carmo]

Ary dos Santos, José Carlos Ary dos Santos


[Refrão: Capicua]

Meu amor, meu amor, eu não tenho a certeza

Se tu és a alegria ou se és a tristeza

Meu amor, meu amor, eu não tenho a certeza

Se tu és a alegria ou se és a tristeza


[Verso 1: Capicua]

Era a tarde mais longa de todas as tardes que me acontecia

Eu esperava por ti, tu não vinhas, tardavas e eu entardecia

Era tarde, tão tarde, que a boca tardando-lhe o beijo, mordia

Quando à boca da noite surgiste na tarde, tal rosa tardia

Quando nós nos olhamos tardamos no beijo que a boca pеdia

E na tarde ficamos unidos ardendo na luz que morria

Em nós dois, nеssa tarde em que tanto tardaste

O sol amanhecia

Era tarde demais para haver outra noite, p'ra haver outro dia

[Refrão: Capicua & Carlos do Carmo]

Meu amor, meu amor, eu não tenho a certeza

Se tu és a alegria ou se és a tristeza

Meu amor, meu amor, eu não tenho a certeza

Meu amor, meu amor, eu não tenho a certeza

Se tu és a alegria ou se és a tristeza

Se és a tristeza


[Verso 2: Capicua]

Eu não sei, meu amor

Se o que digo é ternura, se é riso ou se é pranto

É por ti que adormeço e acordo e acordado recordo no canto

Essa tarde em que tarde surgiste d'um triste e profundo recanto

Essa noite em que cedo nasceste despida de mágoa e de espanto

Foi a noite mais bela de todas as noites que me adormeceram

Dos noturnos silêncios que à noite de aromas e beijos se encheram

Foi a noite em que os nossos dois corpos cansados não adormeceram

E da estrada mais linda da noite, uma festa de fogo fizeram

[Refrão: Capicua & Carlos do Carmo]

Meu amor, meu amor, eu não tenho a certeza

Meu amor, meu amor, eu não tenho a certeza

Se tu és a alegria ou se és a tristeza

Se és a tristeza

Meu amor, meu amor, eu não tenho a certeza

Não tenho a certeza

Meu amor, meu amor, eu não tenho a certeza

Se és a tristeza


[Bridge: Carlos do Carmo]

Meu amor, meu amor, eu não tenho a certeza

Uma festa de fogo fizeram, fizeram

Fizeram

Da estrada mais linda da noite uma festa de fogo fizeram


[Verso 3: Capicua]

O dia da morte da princesa Diana

Aquela cassete dos Sublime

A sensação de desadequação

A certeza de derreter

As nossas moléculas misturadas entre si

No granito daquela cidade velha

Na fraga de onde saiu aquele degrau de pedra

Em toda a matéria, o corpo eletrizado

Os dedos manchados de tinta

A juventude na pele, mãe de toda a intensidade

O coração irremediavelmente partido pela primeira vez

A fotografia da criança sem memória guardada como um souvenir

A chamada na cabine telefónica, com as pernas a tremer

A amiga que relativiza, como se o infinito tivesse cabimento

O firmamento inteiro, como o futuro, sempre adiado

As despedidas juradas, choradas, com as estrelas nos olhos

A sucessão de reencontros mais ou menos épicos, mais ou menos habituais

Mas sempre insuficientes

Adolescente, o nosso amor é de ficar suspenso para lá do espaço-tempo

E eu hei-de regressar a ele em sonhos, quando os filhos se cruzarem

Para me lembrar de quem sou

É que o meu coração era frágil

E tu rasgaste desajeitadamente o seu hímen de virgindade

Foi nesse dia que jurei nunca mais mudar os meus planos por amor

E nunca mais mudei

É nesse juramento que está ancorada a minha liberdade