A última

By Capicua

On Capicua

Released on January 1, 2012

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[Verso 1 - Capicua]

Eu cresci a ouvir Zé Mário

TV era a rádio

E a minha primeira rima foi à porta do infantário

Meu pai sabe-a de cor como ao Cesário e ao O’Neill

Que eu também já decorei só de ouvi-lo repetir:

“Por favor, Madame, tire as patas

Por favor, as patas de seu cão de cima da mesa que a gerência

Agradece”...

(sou) presidente da república do meu coração

Com opinião política, sem organização

E é por convicção, que não louvo abstenção

Tenho o dever do voto por quem fez revolução...

Tenho intervenção, na rima e na atitude

Para que isto mude, para que isto siga novo rumo!

A minha religião é auto-superação

Não façam comparação, brilho no escuro

Sou uma num milhão e tenho ambição

A missão de servir de inspiração para o futuro!

Com a minha palavra, que é arma com efeito

Local, afinal mudo o mundo aqui primeiro, eu não sou dos partidos

Sou dos inteiros, o colectivo é activo

Se o indivíduo está desperto e tudo começa no peito

Com a música por perto do verso, é perfeito!


[Refrão - Capicua]

Não tenho nicho, nem naipe, não acredito no hype, já era

Odd no passado, hoje mantenho o style

Isto é um vício de facto, eu não resisto e ressaco

E pela rima eu desfaço qualquer obstáculo!


[Verso 2 - Capicua]

Quero genialidade para emocionar, ter um "je ne sais quoi"

Como o J.B. no “ne me quites pas”

Ter capacidade de inovar sendo fiel à raiz

Ao país e à cidade invicta!

Eu quero mais

Quero um público e ter o dom de lidar bem com o público

E sobretudo envelhecer com o meu público

Eu queria um dia viajar como um músico

Quero tocar e gravar num estúdio

Mas quero divertir-me acima de tudo

Quero poder pagar a quem trabalhar comigo

Ao Diego sobretudo recompensá-lo é devido

Eu um dia ainda vou dividir o palco

Com uma banda e era bom ter um técnico de som

E o cachet merecido...

Eu sou Mc eu estou-me a expor aqui

Dou tudo de mim e já decidi

Não vou discutir mais ou menos 20 euros

Com os chulos que andam para aí

Promotorzecos de merda eu pago para não ouvir

Faz por ti mas respeita a tua classe

Se tocas de graça ou quase (tu) boicotas os teus pares

Devia haver um sindicato do Rap

Que acautelasse a nossa dignidade

Já que isto agora é negócio

O que é nosso está no fosso, até chega a ser boicote

Em festivais não é suposto

Só toca banda de rock, nos phones é o oposto

Putos só ouvem Hip Hop

Dá desgosto ver que o esforço nunca chega a ter suporte!

Nesta lua-de-mel da musica portuguesa

Novamente em português excluem os Mc’s, ou seja

Quem sempre fez desta língua uma certeza

Mas que nunca vês em TV’s ou imprensa!


[Refrão - Capicua]

Não tenho nicho, nem naipe, não acredito no hype, já era

Odd no passado, hoje mantenho o style

Isto é um vício de facto, eu não resisto e ressaco

E pela rima eu desfaço qualquer obstáculo!


[Verso 3 - Capicua]

A minha religião é auto-superação

Não façam comparação, brilho no escuro

Sou uma num milhão e tenho a ambição

A missão de servir de inspiração para o futuro

Como eu ninguém faz aquilo que eu faço

Aquilo de que sou capaz

Aquilo em que me esforço e eu posso

Posso furar a indústria

Criar oportunidades a fazer a minha musica

Como a Diams, a Debelle, a Rodriguez

Fazer com que chamem Rap ao Rap de raparigas

(mas) façam figas, há uma coisa que eu preciso

É ter o Di e a M7 no mesmo barco comigo

Corações ao alto no mesmo palco comigo

Rotações no prato

No mesmo beat fodido!

A minha religião é auto-superação

Não façam comparação, brilho no escuro

Sou uma num milhão e tenho a ambição

A missão de servir de inspiração para o futuro!