Released on February 7, 2018

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[Verso 1]

O mar enrola na areia ninguém sabe o que ele diz

Sussurra velhas glórias vitórias do meu país

Contam-me contos de outrora de grandes feitos

Donos de tantos reinos só sobram sonhos desfeitos

Por cá estão satisfeitos, pretéritos perfeitos

Estão passados esquecidos nos perdidos e achados

Somos filhos mal amados

Ou somos só bastardos dessa valentia

Foi-se a imortalidade sobrou a apatia

O cheiro da maresia, fatalismo lusitano

Deveras tão divino, deveras tão profano

De um jeito genuíno, ingénuo de ver vida

À espera que o mar nos traga ao ponto da partida

Heróis não têm nome, nem naus ou caravelas

Não tem lendas nem gravuras em obras tão belas

Não há memórias de bravuras impossíveis

Na terra das histórias invisíveis


[Refrão]

Só ficam as historias daquilo que eu nunca vi...

Ficam as memórias do que nunca conheci

Mas eu sou, tu és, a personagem principal

Mas eu sei tu também que o herói vive dentro de ti


[Verso 2]

Heróis não têm bandas desenhadas

Nem capas, figuram em vidas conturbadas

Não vivem em castelos com espadas encantadas

Trabalham com martelos nas calçadas

São parte da cidade, onde raramente mudam as caras

Onde a chuva lava as velhas fachadas

São rotinas cruzadas, marcadas pelo tempo

Levadas pelo vento, perpétuo sofrimento

Mas afinal quem somos?

Tão pequenos em tamanha grandeza

É com certeza uma casa portuguesa

A pátria deixou despesa, e deu me um bilhete de ida

E o D. Sebastião ficou terra prometida

Eu hoje tou de partida, vou para lugar incerto

Estou certo de onde vim mas não sei pra onde vou

Cá ficam os heróis, que o vento não levou

À espera dos heróis de que o tempo não poupou


[Refrão]

Só ficam as historias daquilo que eu nunca vi...

Ficam as memórias do que nunca conheci

Mas eu sou, tu és, a personagem principal

Mas eu sei tu também que o herói vive dentro de ti