Released on November 1, 2019

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[Letra de "Despedida" ft. Ruca Peleias]


[Verso 1: Buster]

Nasceste com a liberdade construção feita em altura

Habitação social novidade na arquitetura

Acolheste a pobreza oriunda da Ribeira

Com uma mão atrás das costas e o resto na algibeira

Deste à luz cinco torres ergueste várias famílias

Aguçavas o saber, matérias em oficinas

Possuías treze andares em cada um cinco casas

Interior labiríntico p'ra quem jogava às “caças”

Em terra batida ainda não havia asfalto

Quando a segunda torre foi tomada de assalto

Deu se a conclusão junto da periferia

Abre a persiana para quem o sol aprecia

Refletia a sua imagem dando cor ao azulejo

Aviões rasgam o céu “cruza o dedo pede um desejo”

Via da minha janela quem o beijo praticava

No verdade ou consequência na escola primária

Que me deu ensinamentos caderno de apontamentos

Atendeu todo o inferno de mais comportamentos

Quando tocava a campainha da ida para o refeitório

Iniciava a correria para o final inglório

À exceção do Edgar chegava a cantina da Tina

Em primeiro lugar as grades eram estreitas

Ele magro para passar depois de almoçar

Cá fora a gente insistia com a tinta que existia

Roubada na drogaria pintava salão sistina

Sem moral no mural só alegria visual

Maioria aprovava o alívio espiritual

A escola reprimia juntamente com o ATL

Que nos dava um papel sobre a visão do futuro

Ter estudos ser culto em adulto ter um canudo

Sou o miúdo sonhador, da folha faço um cartucho

Puxo ar até ó sufoco sai luxo viajador

Eu estou no topo a ver a vista sentado na crista

Mãos na Nuca ver a cúpula do Palácio de Cristal

Sei que a culpa não é minha nem dos enredos do jornal

Foi a tua geografia, quiseram o teu local


[Refrão: Ruca Peleias]

Querem me tirar do bloco

Mas o bloco não tiram de mim (assim)

Olham-me de lado

Sem sequer saber de onde eu vim (enfim)

Se passasses aquilo que eu passei

Se sonhasses os sonhos que eu sonhei

No topo da torre eu vejo o horizonte e sinto-me um rei


[Verso 2: Buster]

Olhava sobre o rio onde ouvia o mar

E ver-te desmoronar deixa-me mais frio

Sem brilho já não sorrio só me resta relembrar

Guardar todos os momentos que passei contigo

Sem abrigo me sinto vazio recinto

Pinto o teu distinto rasga o passar da ponte

Por mais palavras que encontre será sempre sucinto

Instinto físico extinto fonte do Belo Horizonte

Deitar no monte à noite à espera de algum cometa

Imaginar uma faceta vê-las nas estrelas

Bicicletas amarelas na rampa da maneta

Todos tínhamos sem tê-las ter era partilha

Partidas de futebol moviam Lordelo inteiro

Do engenhoso ao caceteiro ninguém era restrito

Sem apito no atrito todo mundo era olheiro

Torneio fogoso descrito pelo espírito

Menino da beira rio mergulho no rio Douro

Eterna saudade do momento duradouro

Onde o tempo parava a cada tolada turista

Passava fotografava, espírito selvagem

Que planava dominava tudo ao redor

Alcatroávamos estradas com sonhos feitos a giz

Nas entradas às claras sabiam que era feliz

Com pouco ou quase nada, caso usasse a mesma roupa

Ninguém pronunciava: "uniforme frequente”

Porque a fome era o roncar de uma crise existente

Existe imaginação viajar p'ra outro universo

Onde eu tenho o acesso com asas de papelão

Descer do corrimão no centro comercial

Lá fora na lateral lago p'ra nós fluvial

Salta gotas de alegria cruza sol que fantasia

A felicidade na íris ao formar o arco-íris

Em festas de São João interior ficava nublado

O cheiro das sardinhas que na roupa se entranhava

Passado uma semana eu subia ao telhado

Coloria o céu com luzes com o fogo da Afurada


[Refrão: Ruca Peleias]

Querem me tirar do bloco

Mas o bloco não tiram de mim (assim)

Olham-me de lado

Sem sequer saber de onde eu vim (enfim)

Se passasses aquilo que eu passei

Se sonhasses os sonhos que eu sonhei

No topo da torre eu vejo o horizonte e sinto-me um rei

Querem me tirar do bloco

Mas o bloco não tiram de mim (assim)

Olham-me de lado

Sem sequer saber de onde eu vim (enfim)

Se passasses aquilo que eu passei

Se sonhasses os sonhos que eu sonhei

No topo da torre eu vejo o horizonte e sinto-me um rei