Selvática

By BUHR

On Selvática

Released on September 29, 2015

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Refaço! Rechaço!

Não lhe devemos nada

Não nos verás na escuridão como capacho

Nos temporais amargos

Dias penumbrosos anoitecidas

Não moverás do corpo um pelo

A tempestade é vencida

Selváticas, por amor ensandecidas não as tocarão

Manadas apedrejantes

Selváticas, de vitórias surpreendentes munidas

Cavalgam amazonas delirantes

Guerreira que bebe sangue

Arco e flecha do daomé

Viço de bicho, ebó de mangue

Jurema da favela

Óleo de palma pra ela

Alma na planta do axé

O eclise perdurará

Acharas palha no agulheiro e transmutarás!

Perfurarás o mal seu e o alheio

E o enforcarás com o cipó da própria raiz segura

Costura de árvore nas alturas

Não espirrarás tua violência amanhecida

Tantas vezes na aprovação da multidão

Tua sanha virará só coração sem mais arranhão nem ferida

Choro trufado, pedregoso umedece

O olho arranhando refinando a vista embargada

Guerrilheira curda vitoriosa nas curvas das serras teimosas

Mulheres, conforme a espécie na guerra esbravejam a dor

Da terra em uivos lhes crescem pupilas ruivas, uvas bacantes

Semeadas, oliveiras palestinas suculentas

Avisam: Já não há quem possa!

Chifres de marfim nascem devagar a empurrar

Entremeando os cabelos

Afiam-se - dentes - pontas - de - diamantes

Estraçalhadores fulminantes de pecadoras maçãs

Vãs as imagens delas conforme a sua

Semelhança bailarão lança e festança

Extirparão o sumo da memória criminosa

Refarão a história e a prosa de tuas eternas

Inquisições de fogueiras em beiras de abismos baderneiras flamejantes ciganas a postos abafarão os berreiros

Constantes em fogosas rosas gigantes

Filhos meus, os seus e os nossos

Selváticas, elas não necessitam seu elogio

Ela transgride sua orientação

Refeito o começo bíblico não ferirás nenhum corpo por ser

Feminino com faca, ou murro, ou graveto

Eu te prometo

Sedarás o mal, interceptarás no meio do caminho o espeto

Super heróis de duas vítimas estancadas

Agora és delas a espada e não o algoz

Selvática, ela come a selva de fora

Ela vem da selva de dentro!

Selvática, ela pare a própria hora

Ela vale em pensamento!

E no final ideal não terás domínio sobre mulher alguma!

No final ideal não terás domínio sobre mulher alguma!