Released on March 11, 2001

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[Verso 1]

Fui criado na campanha

Em rancho de barro e capim

Por isso é que eu canto assim

Pra relembrar meu passado

Eu me criei arremedado

Dormindo pelos galpão

Perto de um fogo de chão

Com os cabelo enfumaçado


[Refrão]

Quando rompe a estrela-d'alva

Aquento a chaleira

Já quase no clarear do dia

Meu pingo de arreio

Relincha na estrebaria

Enquanto uma saracura

Vai cantando empoleirada

Escuto o grito do sorro

E lá no piquete

Relincha o potro tordilho

Na boca da noite

Me aparece um zorrilho

Vem mijar perto de casa

Pra enticar com a cachorrada


[Verso 2]

Numa cama de pelego

Me acordo de madrugada

Escuto uma mão-pelada

Acuando no banhadal

Eu me criei xucro e bagual

Honrando o sistema antigo

Comendo feijão-mexido

Com pouca graxa e sem sal


[Refrão]

Quando rompe a estrela-d'alva

Aquento a chaleira

Já quase no clarear o dia

Meu pingo de arreio

Relincha na estrebaria

Enquanto uma saracura

Vai cantando empoleirada

Eu escuto o grito do sorro

E lá no piquete

Relincha o potro tordilho

Na boca da noite

Me aparece um zorrilho

Vem mijar perto de casa

Pra enticar com a guapecada


[Verso 3]

Reformando um alambrado

Na beira de um corredor

No cabo de um socador

Com as mão broteada de calo

No meu mango eu dou estalo

E sigo a minha campeirada

E uma perdiz ressabiada

Voa e me espanta o cavalo


[Refrão]

Quando rompe a estrela-d'alva

Aquento a chaleira

Já quase no clarear o dia

Meu pingo de arreio

Relincha na estrebaria

Enquanto uma saracura

Vai cantando empoleirada

Eu escuto o grito do sorro

E lá no piquete

Relincha o potro tordilho

Na boca da noite

Me aparece um zorrilho

Vem mijar perto de casa

Pra enticar com a cachorrada


[Verso 4]

Lá no centro do capão

Oiço o piar de um nambu

Numa trincheira o jacu

Grita o sabiá nas pitanga

E bem na costa da sanga

Berra a vaca e o bezerro

No barulho do cincerro

Eu encontro os bois de canga


[Refrão]

Quando rompe a estrela-d'alva

Aquento a chaleira

Já quase no clarear o dia

Meu pingo de arreio

Relincha na estrebaria

Enquanto uma saracura

Vai cantando empoleirada

Escuto o grito do sorro

E lá no piquete

Relincha o potro tordilho

Na boca da noite

Me aparece um zorrilho

Vem mijar perto de casa

Pra enticar com a guapecada