“Da Hype”

By AKpella47

Released on March 18, 2017

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Toda a gente diz que tem, espalha, lidera uma ideologia

Quando no fundo é refém, encalha, espera uma ideologia

Vinda da boca dum messias

Que nos faça acreditar

Que é preciso aguentar na fome

E votar até melhores dias

Mas uns acumulam milhões

Outros nem uma refeição no dia

Ideologias/

Que falam, falam mas só servem

Pra mobilizar as massas pro interesse duma minoria

Que tem o capital, as armas

Energia, tecnologia/

Pra oprimir, explorar o mundo e mantê-lo em constante vigia

Enquanto fazem razias

Deixam-nos migalhas

E dividem grandes fatias

Forçam milhões a imigrar ou morrer durante as travessias

Pra ir limpar, cozinhar pr'ó Norte

E cuidar das suas crias

Fugidos dos escombros das bombas que caem em nome da paz

Da lei do mercado, a lei do mais forte que faz

Biliões por cima das vidas

Que desfaz

Com a fome, a doença

O desastre ambiental

Com expropriação de agricultores

Por uma multinacional

Que impõe monoculturas ou corre atrás dum mineral

Com guerra que beneficia o poder imperial

Que tanto fala de democracia como se associa a um poder ditatorial

O lucro circula global

E o sofrimento fica local

O rico circula global

O pobre morre no local

O que é a opinião

Pública senão

A escolha entre uma ou outra opção

Que previamente nos dão

Pela mão de intelectuais

O que são telejornais

Senão, spots publicitários

De acontecimentos e ideais

Verdades em redes sociais

Que nascem de rumores virais

Que defendem guerras

E decidem campanhas eleitorais

E metem nacionais

Com medo, raiva dos demais, estereotipam-nos de marginais

E entopem-nos em tribunais

Numa só versão do que são

Os bons e maus da fita

Televisão pastor dum rebanho

Que não pensa só́ imita

Reality shows pro tédio

Da classe o trabalho limita

Pa rir com a vida dos outros

Já que a nossa só nos irrita

Chorar com a desgraça dos outros pensar que a nossa é mais bonita

Ver o final feliz da novela

Enquanto o mundo se desmorona

Acreditar na visão que

Nos formata numa poltrona

Olho fixo

No Netflix

Enquanto o cérebro ressona

E nunca mais acorda...

Vivemos como bonecos

Que repetem frases e movimentos programados

Quando o sistema nos dá á corda

Os mídia dizem a gente concorda

Entretidos com futilidades

Da realidade não se recorda

Qualquer verdade a gente concorda

E o que é a publicidade

Senão um instrumento opressor

Num regime onde o consumo tornou-se a lei em vigor

E trocou o estatuto de cidadão

Pelo de consumidor

É a corrente que nos prende ao trabalho como único valor

E o que é o trabalho senão a obrigação de produzir bens

E receber salários para consumir

Esses mesmos bens

Porque a gente produz

Recebe um salário e paga

A casa, o carro, ginásio, a luz

E gasta o que sobra a comprar o que a publicidade induz

A felicidade na roupa que se veste, no carro que se conduz

Ao som dos artistas que pregam só é alguém, e vive bem é dono

Dos objectos que nos põem em destaque na sucessão de hedion/dos/

Talent shows da família, a escola ao trabalho, é a caça ao dom/dos

Próximos Steve Jobs e Ronaldos que mostram que isto funciona para continuarmos a correr atrás de cheques redondos

E aí vêm os créditos nos bancos

Com sentenças de 30 anos

Que nos prendem pra

Vivermos sonhos americanos

E quem não tem emprego

Espera-se que não sobreviva

Ou os guetos são os aterros

Pró excedente de população ativa

Os que ganham pão na rua

São só mais uns operários

Que não tem mais opção

Senão tirar daqui os salários

Já que a riqueza produzida

Não é́ a riqueza dividida

E a elite ganha a vida

A chupar o sangue de quem ela

Endivida

Farmácias, tabaqueiras não serão traficantes impunes

Não serão políticos

Ladrões e assassinos imunes

Escolas igrejas não serão

Prisões de neurónios

Que não espantam a injustiça

Porque espantam outros demónios

Noticiam outros demónios

Educam outros demónios

Transformam os piores monstros

Em heróis, homens idóneos

Já quis

Copiar o que estava no quadro escrito a giz

Já quis

Ler com atenção o que um académico redige

Mas são palavras vazias

Na boca de quem as diz

Que não respondem as perguntas

Que sempre me fiz

Já quis

Estar informado com estas SIC’s e TVI’s

Já́ quis

Ser alertado por CNN’s e BBC’s

Mas são palavras de comando cada vez menos subtis

Que escondem a verdade

Que está por baixo do meu nariz

Já quis

Ser acalmado por Spotify's e MTV’s

Já quis

Saber o que se passa em talent shows e reality's

Palavras falsas e falsetos

Celebridades e perfis

Que escolhem por ti

Te dizem quando choras quando ris

Já quis

Votar nos políticos que iam mudar o país, já quis

Acreditar nas revoluções

Desses MC’s

Palavras que eu devia guardar

Como se fossem uma matriz

Mas que não tornaram este mundo

Em meu redor mais feliz