Toal Proibido

By ADL

On Sonho de Menino

Released on November 12, 2012

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[Verso 1: Lord]

E a cada passo, eu deixo um passo na calçada esburacada

E ocupada pela pressa e pela calma disfarçada

Por quem carrega seus traumas, sem controle sobre a alma

Todas as tias cansadas que trabalham na batalha

Esse é o toal meu paraíso, lugar aonde eu vivo

Onde eu cultivo a minha arte a cada metro aonde eu piso

Cada rua, cada prédio, cada carro, cada grito

Cada choro, cada vida, cada lágrima e sorriso

Todos são sujeitos à isso aqui no toal proibido

É como a palma da minha mão mas já me senti tão perdido

O lugar onde eu habito, explorado pelos gringos

No domingo eu exploro, um simples pingado no seu rodrigo

Passo em frente ao mister lanche, vários nomes no Higino

Ratos da localidade, andarilhos eu imagino

De segunda à segunda-feira pros que ficam de bobeira

Quem toma conta de carro e quem trabalha na feira

Eu me sinto no paraíso misturado com inferno

Tudo que acontece aqui é relatado em meu caderno

Viva um pouco mais aqui antes de achar que não é nada

No paraíso de Terê tem muita criança jogada

Abandonada vem pra cá, tentar arrumar um trocado

Tomando conta de carro, se entupindo de cigarro

Pergunto se é contra isso que trabalha o juizado

Enquanto eles dormem no ponto, os menor tão revoltado

Pra quem vem na ferinha, o toal é passatempo

Mas o tempo já passou e é só agora que eu entendo

Os momentos de infância, dos tempos na moral

Do campinho da tia lena, timão do sideral

Na real, tempo que o meu avô era vivo

Barraca do zé dibinha quem viveu sabe o que eu digo

Hoje em dia no toal o que eu posso dizer:

Frio pra "carái" e nada pra fazer


[Refrão]

Coé drol, arruma a inteira do mel

Bora lá mafu um nofi na casa do Rafael

Tédio do carái esse tempo é mó chato


[Verso 2: Lord]

Então já é neguim, só vou botar um casaco

O inverno é violento é bom sair agasalhado

Pode chover canivete que o coreto tá lotado

De longe um "ataúl", neguim já me avista

Os guardinhas ficam tenso olhando com cara de autista

Mas antes do primeiro freestyle, e a primeira revista

Rep no dagim incomoda os taxista

Que se foda esses maluco, mó cambada de cuzão

Eu vou continuar aqui olhando os carro chapadão

Olhando o Djavan doidão, para sentado no chão

Com a mente não sei aonde, um copo de cana na mão

Parece engraçado nem sei se é notado

O Carlinho deitado pedindo um trocado

Culpado ou coitado, mais um viciado

Mas quem sou eu pra falar, eu também tenho os meus pecados

O pico é variado, tem pobre, tem rico

Tem emo, viado, playboy, mendigo

Tem muito vagabundo, muito trabalhador

Mercenária, vacilão também tem vários pichador


[Verso 3: Lord]

Mas o meu bairro é diferente, perigoso e atraente

Lugar de gente decente, gente doida e delinquente

Chego no coreto errado bate com a língua nos dentes

Aqui é o jardim do éden em meio ao ninho de serpente

Sábado o dia tá quente, partiu, parque nacional

Fumar um e dá um "tibum", é fundamental

Um alô especial pra minha comunidade

Fernandinho, gogrin temos muitas saudades

Deus te guarde em bom lugar, eu sei que tu está

A cachoeira agora é chato sem vocês pra gastar

Fernandin faz um favor pra mim e pros amigos meus

Diz que estamos com saudades dá um abraço no Matheus

"Cês" tão fazendo falta, mas, “cês” tão no coração

Ter conhecido esses amigos foi mó satisfação

Nessas horas que eu vejo, que o tempo passa e eu nem percebo

Eu me deparo de cara com o mundo, sentado no soberbo

O toal fora isso, é tranquilo de se viver

Triste é ver segunda-feira as mães na 110 dp

Aqui é descriminalizado porém tem sua lei vacilou vai ser cobrado

Aqui é meu sustento onde adquiro conhecimento

Quem não conhece o alto, não sabe o que tá perdendo

Um abraço lá pro torto, ilha do caxangá

Cascata dos amores, taumaurgo, ingá

Fátima, araras, soberbo, pedreira

Granja guarani, "rá rá" tá de bobeira

A cada passo eu levo um traço da lição que me foi dada

Leve com a alma lavada, um artista da madrugada

Eu sou levado pelos ventos do meu bairro que me abraçam

E me diferenciam de tolos que por mim passam

E falam, gritam, mas somem de repente

Aonde era mato agora são prédios na minha frente

A humildade prevalece mas eu vou me destacar

Tem horas que é melhor ficar uns aqui e outros lá

É foda, neguim tem que saber se comportar

Não é só beber cachaça na praça a começar a gritar

Fazer o que né, cada um sabe o que faz, né

Os nacã vão chegar ai, ó, bora meter o pé

Vou dar um rolé na casa de cultura, não sei aonde

Cascata, rua do menor ou na ponte

Aonde quer que eu vá eu represento como eu posso

Então vamos preservar neguinho, que o bairro é nosso

Eu ando nesse bairro como o sangue corre em minhas artérias

Esse lugar me traz inspiração e novas ideias

Ideias tão brilhantes, quanto a luz do poste que ilumina


[DK]

Na esquina que nós para sempre pra mandar um rima


[Lord]

Pra mostrar que todos tem o seu lugar

Vai ser bem recebido se souber chegar

Cada calçada desse bairro tem uma história pra contar

Mas, é o que o sol já vai raiar e eu não posso parar

Eu vou pra casa em paz, mas, fugindo desse caos


[DK]

Toal proibido, cinco da manhã, nove graus


[Refrão]

Aos que plantaram ou colheram os seus frutos aqui

Suas derrotas, vitórias, suas histórias aqui

Aos que nasceram, se criaram e que moram aqui

Aos que passaram, que viveram, deixou saudade aqui