[Verso 1]

Tenho de fazer limpezas nos contactos

Apagar incertezas e refrescar estes dados

Urge libertar espaço, os fardos são pesados

E se os tratos nada valem, do avanço serão lastro

Eu não pasto, taurino e dou-te asas

Não conheces quando ligo, não conheço quando falas

Não venhas pedir abrigo se um dia choverem balas

Tanta casa sem gente e tanta gente sem casas

Se disparas, ricochete, o dobro do que me desejas

É o mantra que eu repito, imortalizado em letras

Não julgues que são só rimas ou petas como as que inventas

São sinas que são marcadas com o peso destas canetas

São ofensas e eu sei que ofendi sempre que não omiti

Detalhes que são relevantes p'raquilo que se passa aqui

Nunca defendi a herança da ignorância e foi aí

Que me destaquei daquilo que aboli

Do meu meio, no meu seio, meu círculo é tão ínfimo

A confiança vale ouro, se tens a minha és rico

Vê onde gastas isso porque tempo é dinheiro

E eu não quero concluir que atirei o meu p'ro lixo


[Refrão]

Há gajos pelos quais mataria

Diz o tipo cuja vida só vale algo p'ra família

Há gajos pelos quais mataria

Não guardem flores para mim, não guardem flores para mim


[Verso 2]

'Tou contigo e se to digo é algo de inquestionável

É p'ra tudo, não é só quando há uma dívida cobrável

Mas se há dúvida no laço e a passos dados desenlace num impasse

Este paço vira poço inabitável

Se és amigo é recíproco, acredito e agradeço

É um contrato sanguíneo, mesmo longe de um abraço

Ele existe, por isso exige o teu respeito

Não faças aos outros o que não querias que a ti fosse feito

Em primeiro como lei, deferência ao sensei

Uma vénia por cada sócio a quem eu ensinei

Um euro por cada gajo com o estilo que eu criei

Isso é que era um patrocínio por aquilo que eu já dei

Mas eu sei: alucínio é o vaticínio

Porque agora que o domínio é só lírico é sozinho

Que eu ataco este moínho, é o declínio

Dizem os que queriam que o carácter cometesse suicídio

É uma questão logicamente não provável

A imensidão dá azo às estrelas, se não sabes

Os meus riscos vão viver para sempre

Que agradável, são Picassos, mas no meu caso

O cubismo é de palavras pincelado

Há uns tempos tinha mel, a operadora enriquecia

Toda a gente queria ver o pincel a fazer magia

Agora sou fel, a face do amargo que vos marca

Porque a lealdade é um traço cuja expressão é parca


[Refrão]

Há gajos pelos quais mataria

Diz o tipo cuja vida só vale algo p'ra família

Há gajos pelos quais mataria

Não guardem flores para mim, não guardem flores para mim